Luzes Suaves e Silêncios Antigos
A luz não entrou com pressa.
Escorreu devagar pela pele,
como quem conhece o caminho.
Havia um silêncio antigo no ar,
desses que não incomodam,
apenas observam.
O corpo repousava
entre o agora e a memória,
sem pedir explicação.
Nada precisava acontecer.
E talvez por isso
tudo estivesse acontecendo.
Os gestos eram poucos,
mas carregavam o peso exato
de quem sabe ficar.
Entre sombras delicadas,
a imagem nasceu —
não para ser vista,
mas sentida.
E assim permaneceu:
um instante guardado,
onde o tempo baixou a voz
e o corpo não quis ir embora.
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