Quando o Corpo Aprende a Ficar






O corpo não pediu atenção.
Apenas ficou.

Havia uma quietude antiga
escorrendo pelos ombros,
como se o tempo soubesse
exatamente onde pousar.

Nada foi ensaiado.
Nem gesto,
nem intenção.

A pele conversava com a luz
num idioma lento,
desses que não se traduzem.

Entre o agora e o nunca,
existiu esse instante breve
onde ser bastava.

E talvez seja isso
que a fotografia guarda:
o momento em que o corpo
aprendeu a não ir embora.

 

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