O dia em que o verde me ensinou a permanecer
Cheguei sem avisar.
A natureza não pediu nome,
não quis saber de onde eu vinha
nem quanto tempo eu ficaria.
Havia apenas um caminho de folhas,
um tronco que parecia esperar
e o verde —
esse verde que não julga,
apenas acolhe.
Sentei.
E ao sentar, deixei o mundo cair dos ombros.
As pressas ficaram para trás,
as perguntas também.
O vento passou devagar,
como quem toca para não acordar memórias.
E ali, entre sombras suaves,
me lembrei de como é existir
sem precisar provar nada.
O vestido se confundia com a paisagem.
Não por acaso.
Era um desejo antigo de desaparecer um pouco,
de ser parte do cenário
e não centro dele.
As folhas conversavam entre si,
num idioma que não exige tradução.
O silêncio falava baixo,
mas dizia tudo.
A fotografia aconteceu sozinha.
Sem comando.
Sem pose.
Nasceu no exato momento
em que parei de tentar capturar
e apenas permaneci.
Ali entendi:
liberdade não é ir longe.
É caber inteira no instante.
É não fugir do que se sente.
É permitir-se ficar.
Quando levantei,
o lugar continuou o mesmo.
Mas eu, não.
Porque há silêncios que não passam —
eles vestem.
E quando isso acontece,
a gente segue o caminho
um pouco mais leve,
um pouco mais nossa.
✨ Algumas coisas que caminham comigo:
– Um vestido leve, desses que não pesam no corpo
– Uma mochila simples, que carrega só o essencial
– Um tripé pequeno, para quando a fotografia acontece sozinha
✨ O que em você pede silêncio?
Se quiser, deixe nos comentários.
Algumas histórias merecem eco.
