A Beleza Que Mora no Intervalo



 

Havia silêncio no jeito,
não ausência — presença contida.

O corpo não pedia explicação,
ocupava o espaço como quem já pertence.

A luz tocava a pele devagar,
com respeito de fotografia antiga,
dessas que guardam segredos
entre grãos e sombras.

Não era nudez,
era intervalo.
Entre o olhar e o pensamento,
entre o querer e o deixar ficar.

O tempo parou por um instante,
e nesse instante ela foi inteira,
sem promessa,
sem defesa.

Talvez seja isso que o retrato guarda:
a beleza de existir sem pressa,
como quem sabe que será lembrada
mesmo sem dizer nada.

 

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